Como saber se um texto foi escrito por IA

Publicado 3 min de leitura / 601 palavras

Não há maneira segura de saber. O que há são quatro hábitos que aparecem muito em texto de IA, e servem só para reler com mais atenção, nunca para condenar ninguém.

Um texto de IA costuma trair-se pelos hábitos, não pelos erros. Fica aqui o que observar e como evitar conclusões à pressa.

Ritmo demasiado uniforme

Quem escreve é irregular: uma frase curta, depois uma comprida, depois outra curta. Na IA, as frases têm quase todas o mesmo tamanho e os parágrafos saem iguais, como se alguém os tivesse medido com uma régua.

Chavões e conectores

Expressões como «importa salientar», «desempenha um papel fundamental», «no mundo atual» e «em suma» aparecem na IA muito mais do que na fala natural. O mesmo vale para a sequência «além disso», «deste modo», «ademais», quase uma por frase.

Palavras genéricas em vez de pormenores

O texto humano traz nomes, números, sítios, casos da vida real. O da máquina tende a dizer «vários estudos mostram» e «isto é importante para todos». Soa bem, mas não tem por onde pegar.

Suavidade perfeita

Nada de digressões, de dúvidas ou de opinião própria. Cada parágrafo abre uma ideia e fecha-a com uma conclusão bem arrumada. Um texto vivo costuma ser um pouco mais áspero.

Um sinal que não é de estilo

Há ainda um caso à parte, o dos caracteres invisíveis. Espaços de largura zero, hífenes suaves e outras marcas aparecem muitas vezes quando se copia texto de conversas e de páginas web. O serviço procura 259 caracteres deste tipo. Mas cuidado: a presença deles só diz que o texto andou por algum lado, não que o escreveu uma IA. Quem copia de um processador de texto também os leva atrás. Há mais em Caracteres invisíveis em texto copiado.

Como o serviço transforma isto em números

Cada um dos quatro sinais corresponde a uma medição concreta. A variação do tamanho das frases e a dos parágrafos pesam mais do que tudo: quando as frases têm quase o mesmo comprimento, ou os parágrafos quase a mesma extensão, a pontuação sobe. As expressões feitas contam por níveis, conforme o quanto costumam surgir em texto de IA, em português, inglês, russo e ucraniano. Os conectores contam pela densidade, isto é, quantas palavras de ligação há por frase. A lista de provas dá o número da linha de cada ocorrência, e assim vai direto ao sítio.

Uma ressalva importante

Nenhum destes sinais prova a autoria. Notícias, documentos oficiais e artigos científicos escritos por pessoas também são uniformes e suaves. Nas nossas medições, as notícias humanas bem escritas tiveram pontuações altas bem mais vezes do que os textos coloquiais. Veja os sinais como um motivo para reler, não como uma sentença.

Os números do próprio serviço são modestos. Num corpus grande, com 1% de falsos positivos, a análise atual apanha só uma fração dos textos de IA, e os modelos recentes passam melhor do que os primeiros assistentes de conversa. Abaixo de cerca de 150 palavras o sinal quase não existe, e o serviço avisa. Os pormenores estão em Por que os detetores de IA se enganam.

O que fazer a seguir

Cole o texto na verificação: ela destaca as passagens com expressões feitas e ritmo demasiado uniforme. Clique no destaque e o editor abre nesse ponto, com uma sugestão do que usar em vez da frase.

Se o texto é seu, veja também Como deixar o texto mais vivo. Se é de outra pessoa e a dúvida é séria, comece pela lista justa para professores e editores e leia como se verifica hoje um texto quanto a IA.

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A pontuação do serviço é uma pista, não prova de autoria.