Como deixar o texto mais vivo
Um texto vivo lê-se melhor, e isso nada tem que ver com detetores. Aqui ficam seis truques que servem tanto para um rascunho feito por IA como para o seu próprio texto.
Meta detalhes concretos
Em vez de «muitas pessoas», escreva «a minha vizinha Marina». Em vez de «crescimento significativo», «de 40 para 65 pedidos por mês». Com nomes, números, sítios e casos, o leitor pode confirmar o que lê e lembra-se mais facilmente.
Mude o ritmo
Alterne frases curtas e compridas. A curta destaca uma ideia. A comprida deixa o raciocínio respirar. Se três frases seguidas têm o mesmo tamanho, reescreva uma.
Corte os chavões
«Importa salientar que» quase sempre pode sair. «Desempenha um papel fundamental» fica «é muito importante». «No mundo atual» fica «hoje». Leia a frase sem a expressão: se o sentido não se perde, ela estava a mais.
Volte a falar com a sua voz
Diga o que pensa, onde tem dúvidas, o que o apanhou de surpresa. Um «não tenho a certeza» ou um «isto incomodou-me» dá mais vida a um parágrafo do que uma dúzia de sinónimos.
Leia em voz alta
Onde tropeçar, ou notar que começou a falar de outro modo, é aí que o texto pede revisão. Os conectores a mais («além disso», «deste modo») ouvem-se logo.
Não corra atrás de «enganar o detetor»
Reveja para que o texto fique melhor para quem o lê. Moldá-lo a um programa não faz sentido: os detetores enganam-se, e ninguém consegue garantir que um texto passa por «indistinguível».
Um exemplo pequeno
Antes: «No mundo atual, a comunicação desempenha um papel fundamental. Além disso, importa salientar que muitas empresas investem na sua melhoria.»
Depois: «Na padaria da minha rua, a fila anda mais depressa desde que a Rita passou a escrever os pedidos num quadro. Parece pouco. Poupa dez minutos por manhã.»
O segundo exemplo é inventado, só para ilustrar. Veja o que mudou: apareceu um sítio, uma pessoa e uma medida, e as frases deixaram de ter o mesmo tamanho. Não há truque nenhum. Há informação que só tem quem conhece o assunto.
Porque é que o ritmo conta
O serviço mede a variação do comprimento das frases e dos parágrafos, e esta é das medições que mais pesam na pontuação: um texto muito regular ganha mais pontos. Não é um defeito para esconder, é uma pista do que o leitor sente. Ao fim de meia página, frases todas do mesmo tamanho cansam. A lista de leitura dos números explica cada barra.
Uma ordem de trabalho simples
Primeiro o conteúdo, depois a forma. Antes de mexer nas frases, pergunte-se se o texto diz algo que só você sabe. Se não diz, nenhum truque de estilo o salva. Só então corte as expressões feitas, varie o ritmo e leia em voz alta. No fim, verifique o resultado: se uma passagem continuar assinalada, releia-a e decida se está bem assim. Uma ficha técnica, uma carta formal ou um relatório podem e devem ser uniformes.
O que não resolve
Trocar palavras por sinónimos à toa não ajuda: a estrutura fica igual e o texto lê-se pior. Meter erros de propósito também não. Os números do próprio serviço mostram porquê: textos humanos muito bem revistos, como as notícias, recebem muitas vezes notas altas. A regularidade não prova nada, é só um bom motivo para ouvir o texto em voz alta.
O que fazer a seguir
Cole o texto na verificação: as passagens a laranja e a amarelo mostram o que reler primeiro. Clique numa passagem e o editor abre nesse ponto, com uma sugestão do que usar em vez da frase. Depois leia o texto em voz alta uma última vez. Para saber que sinais os leitores e os revisores procuram, veja Como saber se um texto foi escrito por IA.