# Lista justa para professores e editores

> Lista justa para professores e editores que suspeitam de IA: o que a pontuação de um detetor prova, o que não prova e como falar com o autor.

- URL: https://authortext.com/pt/articles/fair-checklist-suspect-ai
- Language: pt
- Published: 2026-10-24
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Tem um texto à sua frente e uma sensação: demasiado liso, demasiado arrumado, sem personalidade. Cola-o num detetor e sai 78%. E agora?

Com calma. Um número pode abrir uma conversa, mas não a deve fechar.

## O que uma pontuação prova e o que não prova

Um detetor mede estilo. Repara se as frases têm comprimentos parecidos, quantas vezes surgem expressões feitas e quantos conectores há no texto. Não sabe quem escreveu, nem como o texto foi feito.

Uma pontuação alta diz só isto: o texto tem traços que os textos de máquina costumam ter. Não prova a autoria. E, segundo os nossos [números honestos](https://authortext.com/pt/articles/why-detectors-err), o sinal é fraco: num corpus grande, a análise atual apanha apenas uma parte modesta dos textos de IA quando a taxa de falsos positivos fica em 1%, e os modelos modernos passam com mais facilidade do que os primeiros chatbots.

Por isso, nunca decida só por uma pontuação. Nem para chumbar um aluno, nem para recusar um colaborador, nem para escrever uma acusação.

## Quem é apanhado injustamente

Há autores honestos que qualquer detetor acha "de máquina":

- quem escreve numa língua que não é a materna e se apoia em construções simples e corretas;
- editores e jornalistas, cuja prosa polida foi alisada de propósito;
- autores de géneros formais: relatórios, cartas, estilo científico;
- quem passou o rascunho por um corretor ortográfico ou por um tradutor.

Se o seu suspeito está num destes grupos, desconfie duas vezes antes de acusar. Falámos disto em [Quando o detetor confunde humano e IA](https://authortext.com/pt/articles/when-detectors-disagree).

## O que pesa mais e o que pesa menos

Nem todas as provas valem o mesmo. As mais fortes mostram o processo em si: rascunhos com datas, histórico de edições, notas e esquemas. Depois vem uma conversa a sério sobre o texto, porque quem escreveu costuma lembrar-se de por que escolheu aquela ideia. A seguir, a comparação com trabalhos anteriores do mesmo autor. A pontuação do detetor fica em último, já que descreve só o estilo do texto acabado.

## A lista

Siga estes passos, por esta ordem.

1. **Releia o texto.** Há pormenores concretos, como nomes, datas, um exemplo vivido, um erro que só uma pessoa faria? Ou só palavras gerais?
2. **Compare com trabalhos anteriores.** Vocabulário igual, os mesmos erros de sempre, o mesmo ritmo? Um salto súbito de polimento justifica uma pergunta, não uma acusação.
3. **Peça o processo.** Rascunhos, histórico de versões, notas, as fontes que o autor leu. É a prova mais forte que pode obter, porque mostra como o texto nasceu.
4. **Fale com o autor.** Dez minutos de perguntas sobre o conteúdo valem mais do que qualquer percentagem.
5. **Se ainda quiser, faça uma verificação.** Leia o resultado como uma pista sobre onde olhar.
6. **Decida com vários sinais juntos** e anote quais foram.

## A lista de indícios como ponto de partida

O AuthorText não devolve só um número. Mostra indícios com o número da linha: onde há uma expressão feita, onde os parágrafos têm quase o mesmo tamanho, onde se juntam conectores.

Numa conversa isso dá jeito, porque deixa perguntar por um sítio concreto em vez de pelo texto inteiro. "Na linha 14 lê-se: "importa referir que isto desempenha um papel fundamental". O que queria dizer aqui?" Quem escreveu o parágrafo costuma explicar, reformular ou admitir que ouviu a expressão algures. Quem não o escreveu fica muitas vezes sem resposta.

Mesmo assim, uma explicação também não é veredicto, para um lado ou para o outro. Muita gente usa expressões feitas, e muito texto de IA é corrigido à mão.

## Como falar com o autor

- Comece pela curiosidade: "Gostava de perceber como este texto surgiu."
- Diga o que viu, não a conclusão: "O ritmo é muito regular e há várias expressões típicas."
- Peça primeiro o histórico de rascunhos.
- Proponha um pequeno exercício sobre o mesmo tema, falado ou escrito na hora.
- Aceite que se pode ter enganado. Se o autor tem rascunhos e responde bem às perguntas, o assunto fica arrumado.

Evite dizer "o detetor mostrou que copiou". Não mostrou, e o autor, com razão, vai deixar de confiar no processo.

## O que fazer

Use a pontuação como razão para olhar com mais atenção, nunca para punir. Peça os rascunhos primeiro, converse depois, e só decida quando várias coisas independentes apontarem para o mesmo lado. Se quiser uma vista linha a linha para orientar a conversa, [verifique o texto no AuthorText](https://authortext.com/pt/) e abra a lista de indícios. Para uso regular, veja os [planos](https://authortext.com/pt/plans).

[Verificar um texto](https://authortext.com/pt/#editor)
